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Imagem de destaque para artigo sobre sorgo publicado no Blog AgriQ | Créditos: Shutterstock

Sorgo: o que é, para que serve e como plantar

Sorgo: o que é, para que serve e como plantar

O cultivo de sorgo tem se mostrado uma alternativa estratégica para produtores que buscam diversificar a produção e aumentar a eficiência da propriedade. Além de apresentar boa tolerância à seca, essa cultura pode ser utilizada para diferentes finalidades como produção de grãos, forragem e silagem.

Ao longo deste conteúdo, iremos explicar o que é o sorgo, quais são seus usos e como funciona o processo de plantio.

Acompanhe a seguir!

O que é o sorgo?

O sorgo é um cereal de origem africana que pertence à família das gramíneas, a mesma do milho, do trigo e do arroz. Ele se destaca por ser o quinto cereal mais produzido no mundo, sendo uma cultura extremamente rústica e resiliente.

Em geral, sua principal característica é a alta tolerância à seca e ao calor, o que permite o desenvolvimento saudável da lavoura mesmo em regiões com baixa pluviosidade ou solos menos férteis.

Além disso, o sorgo é a base de diversas indústrias, servindo como excelente alimento para animais, base para farinhas sem glúten na culinária humana e até mesmo matéria-prima para biocombustíveis.

Quais são os principais usos do sorgo?

Os usos do sorgo variam de acordo com o tipo de planta colhida, sendo um cereal aproveitado integralmente, desde os grãos até a palhada.

As principais aplicações do sorgo no mercado se dividem em quatro grandes pilares:

Alimentação animal

Este é o principal destino do sorgo no Brasil e em grande parte do mundo devido ao excelente custo-benefício e valor nutricional.

Em geral, os grãos do sorgo granífero substituem o milho em até 100% na formulação de rações para aves, suínos e bovinos.

Ademais, o sorgo forrageiro é picado e fermentado para virar silagem de alta qualidade, garantindo o trato do gado de corte e de leite durante o período de seca.

Alimentação humana

O sorgo ganha cada vez mais espaço na mesa das pessoas por ser um alimento versátil e saudável. Por não conter glúten naturalmente, a farinha de sorgo é muito utilizada na produção de pães, bolos e massas para celíacos ou pessoas com restrições alimentares.

Além disso, ele pode ser consumido cozido como o arroz ou estourado na panela, funcionando como uma alternativa menor e nutritiva à pipoca tradicional.

Bioenergia e indústria

A alta concentração de biomassa e açúcares confere ao sorgo um papel importante na transição energética. O sorgo sacarino, por exemplo, tem caldo rico em açúcar que pode ser processado diretamente nas usinas de cana durante a entressafra, otimizando a estrutura industrial.

Já o sorgo biomassa é queimado em caldeiras industriais para cogeração de energia elétrica e vapor.

Uso no solo

O sorgo também trabalha a favor da lavoura mesmo depois de colhido. A palhada densa que fica no campo, após a colheita, protege a terra contra o sol forte e o impacto da chuva, mantendo a umidade.

Quais são os tipos de sorgo?

O sorgo é dividido em quatro tipos principais. São eles:

Granífero

O Granífero é o tipo mais comum e produz plantas mais baixas que concentram a energia na formação de panículas cheias de grãos na ponta superior. Esses grãos são amplamente utilizados na fabricação de ração animal e na alimentação humana.

Forrageiro

Desenvolve plantas altas e com grande volume de folhas. É ideal para a produção de silagem, pastoreio direto ou feno, servindo como base alimentar para o gado, especialmente na entressafra.

Sacarino

Possui colmos suculentos e ricos em açúcares fermentáveis, de forma muito semelhante à cana-de-açúcar. É utilizado principalmente para a produção de etanol e bioenergia.

Biomassa

Essa variedade atinge grande porte físico em pouco tempo. O foco está na alta produção de matéria seca para a queima em caldeiras e geração de energia térmica ou elétrica.

Qual a melhor época para plantar sorgo?

A época ideal de plantio do sorgo no Brasil varia conforme a região e a finalidade da cultura. No entanto, a janela de semeadura mais indicada abrange os meses de outubro a março.

Confira o período correto de acordo com a sua região e o tipo de sorgo:

  • Região centro-oeste e sudeste (1ª safra): entre outubro e meados de dezembro, coincidindo com o início das chuvas (biomassa, sacarino, granífero e forrageiro);
  • Região centro-oeste e sudeste (safrinha): entre meados de janeiro e março, cultivado logo após a colheita da soja (granífero e forrageiro);
  • Região sul: mais restrito ao plantio de verão, geralmente entre outubro e novembro. Em algumas áreas, testa-se a segunda safra no mês de fevereiro (forrageiro e granífero);
  • Região nordeste: focado na época das chuvas, concentrando-se nos meses de março (forrageiro e granífero).

Como é feito o plantio de sorgo?

Plantio de Sorgo na Embrapa Milho e Sorgo em Sete Lagoas-MG (Créditos: Claudio Lucas Capeche | Shutterstock)
Plantio de Sorgo na Embrapa Milho e Sorgo em Sete Lagoas-MG (Créditos: Claudio Lucas Capeche | Shutterstock)

O plantio de sorgo exige cuidados específicos para garantir sucesso na lavoura. Como a semente do sorgo é muito menor do que a do milho ou da soja, o processo demanda maior precisão nas regulagens das máquinas.

Sendo assim, as etapas principais para realizar o plantio na prática envolvem a preparação, a regulagem e o acompanhamento técnico da operação:

1. Preparação da área e solo

O sorgo se adapta muito bem ao sistema de plantio direto, aproveitando a palhada da cultura anterior (normalmente a soja).

  • Condições do solo: a terra precisa estar bem corrigida e apresentar boa umidade no momento do plantio. O sorgo necessita absorver cerca de 35% do seu peso em água para dar início à germinação;
  • Temperatura do solo: para uma emergência rápida e uniforme, o ideal é que a temperatura do solo esteja acima de 18°C.

2. Regulagem da semeadora

Esta é a fase mais crítica do processo. Por causa do tamanho reduzido e do formato arredondado da semente, qualquer erro na escolha dos discos ou anéis causa falhas na linha ou plantio duplo.

  • Discos e anéis: devem ser utilizados discos específicos para sorgo, com furos que variam geralmente entre 3,0 mm e 4,5 mm, adequados ao tamanho do lote de sementes comprado. Os anéis devem ser planos ou rebaixados conforme a recomendação do fabricante do disco para evitar o esmagamento dos grãos;
  • Profundidade: a semente deve ser depositada a uma profundidade uniforme de 3 cm a 4 cm. Se o plantio for muito raso, a semente pode secar e morrer. Se for muito profundo, a planta gasta toda a sua energia e não consegue romper a superfície do solo.

3. Espaçamento e densidade de plantio

A quantidade de plantas por metro depende do tipo de sorgo. Confira abaixo:

Sorgo granífero

O padrão mais utilizado no Cerrado é o espaçamento reduzido de 45 cm a 50 cm. Em algumas propriedades que utilizam o mesmo maquinário do milho, adota-se o espaçamento de 70 cm a 80 cm.

No espaçamento de 50 cm, estima-se ter de 9 a 11 plantas por metro linear. Para atingir esse estande, regula-se a plantadeira para cair cerca de 12 a 13 sementes por metro, prevendo perdas normais de germinação.

Sorgo forrageiro (silagem e pastejo)

O objetivo aqui é o volume de massa verde com boa proporção de folhas e colmos macios.

  • Espaçamento entre linhas: geralmente fixado entre 50 cm e 70 cm;
  • População final: varia de 120.000 a 150.000 plantas por hectare.

No espaçamento de 70 cm, a meta é ter entre 8 e 10 plantas por metro linear. Afinal, populações muito adensadas fazem o colmo ficar muito fino e propenso ao acamamento (tombar com o vento).

Sorgo biomassa

A produção de sorgo biomassa é focada na produção extrema de matéria seca para queima em caldeiras. Assim, gera plantas gigantescas que passam dos 4 metros de altura.

  • Espaçamento entre linhas: o padrão de mercado é de 50 cm a 70 cm;
  • População final: mais baixa, ficando entre 100.000 e 120.000 plantas por hectare.

No espaçamento de 70 cm, distribui-se de 7 a 8 plantas por metro. O número menor de plantas permite que cada gomo engrosse o suficiente para sustentar o peso da estrutura sem tombar.

4. Velocidade de plantio e adubação

O ritmo da operação afeta diretamente a produtividade final:

  • Velocidade do trator: a semeadora não deve rodar a mais de 5 km/h a 6 km/h. As velocidades maiores fazem o disco de sementes girar rápido demais, provocando falhas graves na distribuição;
  • Adubação de arranque: o adubo formulado (normalmente rico em fósforo e potássio) deve ser depositado ao lado e abaixo da semente, cerca de 5 cm de distância. A adubação de cobertura com nitrogênio é feita posteriormente, quando a planta apresentar de 4 a 6 folhas totalmente expandidas.

Quanto tempo o sorgo demora para produzir?

O tempo que o sorgo demora para produzir e chegar ao ponto de colheita varia entre 90 e 180 dias, dependendo diretamente da variedade plantada e das condições climáticas da região.

O desenvolvimento da planta acontece em três etapas bem definidas. Veja o exemplo das fases de um ciclo médio:

  • Fase vegetativa (1 a 40 dias): vai da emergência da plântula até a diferenciação floral. A planta foca em emitir folhas e desenvolver o sistema radicular profundo;
  • Fase reprodutiva (41 a 75 dias): ocorre o emborrachamento, a saída da panícula e o florescimento. É o momento mais crítico da lavoura, onde a falta de água ou frio severo causam os maiores prejuízos;
  • Maturação dos grãos (76 a 110 dias): os grãos passam do estágio leitoso e pastoso até a maturação fisiológica. A colheita acontece assim que a umidade do grão baixa para os níveis comerciais tolerados (geralmente entre 14% e 15%).

Entre os tipos existentes, o sorgo biomassa é uma exceção à regra geral do grão por ter um ciclo bem mais longo. Como o objetivo dele é atingir até 5 metros de altura, ele demora de 150 a 180 dias para completar o ciclo e atingir o teor de matéria seca ideal para o corte.

Por que plantar sorgo?

A decisão de plantar sorgo, especialmente como segunda safra (safrinha), traz vantagens estratégicas e financeiras que explicam seu crescimento no Brasil. Confira!

Altíssima tolerância à seca e ao calor

As folhas do sorgo possuem uma camada de cera que reduz a perda de água por transpiração. Assim, a planta consegue entrar em um estado de dormência temporária se faltar chuva, retomando o crescimento assim que a umidade volta. Isso o torna a opção ideal quando a janela do milho safrinha fecha e o risco climático aumenta.

Redução nos custos de implantação

O investimento por hectare no plantio de sorgo é consideravelmente menor do que o do milho safrinha. Na prática, as sementes são mais baratas e a exigência em fertilizantes é menor, já que ele aproveita bem os nutrientes residuais deixados pela adubação da soja.

Redução da população de nematoides

Alguns híbridos de sorgo são excelentes aliados no Manejo Integrado de Pragas (MIP), pois atuam como plantas não hospedeiras ou más hospedeiras de nematoides de galha e do cisto da soja.

Em resumo, plantar essas variedades na safrinha ajuda a limpar a área e reduzir a população desses parasitas para o plantio da soja no ciclo seguinte.

Liquidez e mercado garantido

A demanda por sorgo é firme e crescente. Na nutrição animal, ele substitui o milho com eficiência e menor custo, sendo muito procurado por indústrias de ração, confinamentos de gado de corte e bacia leiteira. Além disso, as usinas de etanol de milho (etanol de cereais) vêm aumentando a compra de sorgo para processamento.

Conclusão

O sorgo é uma cultura versátil, resistente e com grande potencial para diferentes sistemas de produção agrícola. Seja para alimentação animal, produção de silagem ou comercialização de grãos, ele oferece vantagens importantes, especialmente em regiões sujeitas à escassez hídrica.

Com planejamento adequado e boas práticas de manejo, o cultivo de sorgo pode gerar produtividade, reduzir riscos e contribuir para a diversificação da propriedade rural.

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Rafaella Aires

Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.

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