Imagem de destaque para artigo sobre fatores que afetam o desenvolvimento do feijão no Blog AgriQ. (Créditos: Pixabay)

Feijão: quais fatores afetam o desenvolvimento da cultura?

Feijão: quais fatores afetam o desenvolvimento da cultura?

Você sabia que o feijão está entre os principais alimentos consumidos pelos brasileiros?

É o que diz a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020. Segundo o estudo, o feijão só perde em popularidade para o café e o arroz — ou seja, a leguminosa é o terceiro alimento mais consumido no país.

Além do elevado consumo interno, as exportações do feijão também aumentaram nos últimos anos.

Nos últimos cinco anos, os produtores do país começaram a trabalhar com outras variedades, mais populares internacionalmente. É o caso, por exemplo, do feijão azuki, mungo, rajado e caupi, comuns na Ásia.

Com o aumento do cultivo dessas variedades, a receita de exportações do feijão no país chegou a US$ 148,3 milhões em 2020, segundo dados do Instituto Brasileiro dos Feijão e Pulses (Ibrafe).

Assim, o feijão, cada vez mais, atrai a atenção de grandes produtores. Com a irrigação, controle fitossanitário e a mecanização da colheita, a cultura é uma excelente opção para agricultores que desejam aumentar a rentabilidade de suas lavouras.

Como outras culturas, o feijão também tem condições específicas que beneficiam seu cultivo.

Por isso, para te ajudar a conhecer mais sobre a cultura, reunimos quais são os principais fatores que afetam o desenvolvimento do feijão e como eles influenciam no resultado da lavoura.

Para saber mais, continue a leitura!

Quais são as fases de desenvolvimento do feijão?

O ciclo de desenvolvimento da cultura de feijão se divide em duas fases: a vegetativa e reprodutiva.

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Estádios de desenvolvimento do feijão (Fonte: Embrapa Arroz e Feijão)

A fase vegetativa compreende os estádios de desenvolvimento V0 a V4. A fase reprodutiva, por sua vez, abrange do estádio R5 a R9.

Abaixo, confira mais detalhes sobre os estádios de desenvolvimento:

Fase vegetativa

V0 – Germinação: inicia no dia da semeadura. A semente incha e começa a germinar, rompendo o solo.

V1 – Emergência: cotilédones (primeiro par de folhas) de 50% das plantas aparecem ao nível do solo.

V2 – Folhas primárias: folhas primárias de 50% das plantas estão totalmente abertas.

V3 – Primeira trifoliolada: primeira trifoliolada (formada por três folhas menores, também chamada de folha composta) de 50% das plantas está totalmente aberta.

V4 – Terceira trifoliolada: terceira folha trifoliolada de 50% das plantas está totalmente aberta.

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Estádios de desenvolvimento do feijão na fase vegetativa (Fotos: Sebastião Araújo | Embrapa)

Fase reprodutiva

R5 – Pré-floração: aparecem os primeiros botões ou racemos em 50% das plantas.

R6 – Floração: abre-se a primeira flor em 50% das plantas.

R7 – Formação de vagens: as pétalas das flores murcham e começa a formação de vagens (ao menos uma vagem aparece em 50% das plantas).

R8 – Enchimento de vagens: formação de grãos na primeira vagem em 50% das plantas.

R9 – Maturação: mudança de cor, em pelo menos, uma vagem em 50% das plantas.

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Estádios de desenvolvimento do feijão na fase reprodutiva (Fotos: Sebastião Araújo | Embrapa)

Quais fatores afetam o desenvolvimento do feijão?

Para obter resultados positivos na cultura de feijão, é preciso considerar alguns fatores, como temperatura, época e área de plantio, água, entre outros.

Conheça mais sobre a importância de cada um deles:

Época de plantio

A princípio, a época de plantio é um fator básico, sempre de extrema importância, para o sucesso da lavoura.

No caso do feijão, para definir o período ideal de plantio, é preciso considerar as exigências climáticas da planta.

Na prática, isso significa que essa cultura consegue obter uma melhor produtividade quando seu cultivo ocorre em épocas com climas específicos.

Vale destacar que por ser uma cultura de ciclo curto (cerca de 90 dias), o feijão pode ser cultivado por até quatro safras em um ano.

Abaixo, veja quais são as épocas de semeaduras do feijão para diferentes regiões do Brasil:

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Época de semeadura para a cultura do feijão nos estados da região central brasileira (Fonte: ProEdu)

Temperatura

De modo geral, a cultura de feijão é sensível a altas e baixas temperaturas.

Dessa forma, as melhores temperaturas para a cultura ficam entre 18 e 24°C, sendo que a ideal é de 21°C.

Fora dessa temperatura, em especial com médias acima de 30°C e abaixo de 12°C, pode ocorrer abortamento de flores, vagens e grãos do feijão.

Também é importante ressaltar que na fase de germinação, as temperaturas baixas podem atrasar a emergência e prejudicar o desenvolvimento das plantas.

Radiação solar

A radiação solar é outro fator que favorece o bom desenvolvimento da lavoura de feijão.

Assim, o ideal é manejar a cultura de forma que ela consiga interceptar uma grande quantidade de radiação solar.

Este é um fator importante, em especial, antes da fase de florescimento da planta. Desse modo, até chegar a esse estádio, é possível acumular um volume adequado de biomassa.

Precipitação pluvial

Quando está sob estresse hídrico (falta de água), o feijão costuma apresentar redução na área foliar.

Essa é uma questão ainda mais crítica no período da floração, quando a falta de água pode diminuir a estatura da planta e prejudicar o desenvolvimento das vagens da planta — o número, tamanho e a quantidade de grãos é afetado.

Desse modo, para garantir a produtividade da cultura, é importante irrigar a cultura, de forma a reduzir a ocorrência do estresse hídrico.

No mais, o excesso de chuvas também pode causar prejuízos à cultura, principalmente na época da colheita. Isso acontece porque o alto volume pluviométrico impede a colheita do feijão, o que aumenta a probabilidade de brotação e o surgimento de manchas nos grãos.

Para a cultura do feijão alcançar bons resultados, o melhor é que o volume das precipitações situe-se entre 300 e 400 mm e que, idealmente, seja bem distribuído durante o ciclo da cultura.

Área de plantio

Em relação à área de plantio, o feijão pode ser cultivado tanto em várzeas quanto em terras altas. O importante é que o local de cultivo tenha solos soltos, friáveis e não sujeitos a encharcamento.

No caso das várzeas e baixadas úmidas, a cultura deve ser implantada em períodos menos chuvosos para aproveitar a topografia e capacidade de armazenamento de água, uma vez que os solos encharcados não são suportados pelo feijoeiro e prejudicam a germinação, limitando o desenvolvimento das raízes e favorecendo a ocorrência de doenças.

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Preparação do solo

Como explicamos, a cultura de feijão pode ser cultivada em diferentes épocas, o que torna possível mais de uma safra por ano na mesma área.

De modo geral, é possível cultivar o feijão de duas formas: pelo plantio convencional ou por plantio direto.

No caso do plantio convencional, deve-se fazer a aração e a gradagem seguindo as práticas de manejo e conservação do solo — isto é, segundo as condições de topografia do terreno e as propriedades físicas do solo.

Entretanto, a técnica mais comum acaba por ser a de plantio direto, devido ao uso intenso do solo. Esse método proporciona efeitos benéficos sobre os atributos físicos, químicos e biológicos do solo.

No plantio direto, a semente e o adubo são adicionados em um solo não preparado por meio de implementos agrícolas. Assim, o revolvimento do solo ocorre apenas no sulco onde é feita a semeadura.

Outro ponto de destaque do plantio direto é que no lugar do controle mecânico e manual de plantas daninhas, comum no sistema convencional, realiza-se o controle químico com agrotóxicos.

Espaçamento, densidade e profundidade

Os três pontos — espaçamento, densidade e profundidade — são importantes para definir como será o cultivo do feijão.

Confira, a seguir, as medidas referentes:

Espaçamento e densidade de plantio

Primeiramente, vamos falar sobre o espaçamento. Para o cultivo de feijão, indica-se uma distância de 40 a 50 cm entre as linhas de plantio.

Já para a densidade (ou seja, o número de plantas por unidade de área), recomenda-se 10 a 15 sementes por metro.

Desse modo, ao seguir essas recomendações, espera-se obter uma população entre 200 e 375 mil plantas por hectare.

Em alguns casos, vale lembrar que em áreas com infestações do fungo mofo-branco, recomenda-se adotar um espaçamento ainda maior. Isso acontece porque em lavouras com cultivo mais denso, há menos entrada de luz no dossel das plantas, o que favorece a proliferação do fungo nas plantas.

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Feijoeiro com mofo-branco (Foto: Murilo Lobo | Revista Campo e Negócios)

Nesse contexto, é melhor que o espaçamento seja de 50 a 60 cm. Além disso, também indica-se uma menor densidade de plantio. Dessa forma, é possível ter uma maior circulação de ar entre as plantas, o que auxilia no controle da doença.

Profundidade

Em relação a profundidade, indica-se que em solos argilosos ou úmidos, a semeadura seja feita com 3 a 4 cm de profundidade. Já em solos arenosos, com 5 a 6 cm.

Esse é um ponto importante para o cultivo do feijão, pois quando fazemos a semeadura em maior profundidade, pode ocorrer o atraso da emergência das plântulas. Ademais, outra desvantagem é que as sementes ficam mais suscetíveis ao ataque de doenças, o que causa danos aos cotilédones.

Quanto ao adubo, recomenda-se que a distribuição seja ao lado ou abaixo das sementes (3 – 5 cm). Assim, é possível prevenir danos às plântulas e consequente redução no estande (população de plantas).

Calagem e adubação

No feijoeiro, assim como em outras culturas, o ideal é que o produtor realize a calagem e a adubação de acordo com a análise de solo. A partir do exame, o produtor sabe, com precisão, quais são as exigências nutricionais da cultura.

É importante ressaltar que a recomendação de nutrientes pode variar de estado para estado. Nesse contexto, para saber qual é a recomendação para sua lavoura, é necessário ir buscar informações na comissão de fertilidade do solo do seu estado.

Colheita

Para realizar a colheita do feijão, podemos adotar três formas: manual, semimecanizada e mecanizada.

No sistema manual, todas as operações da colheita — como o arranquio, o recolhimento, a trilha, a abanação (separação dos grãos misturados à palha) e a limpeza (separação de pedras e torrões) — são realizadas manualmente.

Nesse sistema, é feito o arranquio das plantas inteiras a partir da maturação fisiológica. Esta fase é caracterizada pelas folhas amarelas, vagens velhas, secas e completamente cheias, e grãos com a coloração definitiva.

As plantas arrancadas permanecem no campo dispostas em molhos, com as raízes para cima. Esse processo é feito para completar a secagem até que os grãos atinjam teor de umidade próximo a 16%.

Em seguida, as plantas são dispostas em terreiros, em camadas de 30 a 50 cm, onde se processa a batedura com varas flexíveis ou com rodas de trator.

Armazenamento

Por fim, vamos ao armazenamento do feijão: para a tarefa, podemos utilizar sacaria, granel ou silos.

No caso de armazenamento de curto prazo, é necessário considerar o teor de umidade de 15%. Por outro lado, caso seja prolongado, o ideal é reduzir a umidade para 12%.

Conclusão

E aí, conseguiu entender mais sobre o cultivo do feijão?

Esperamos que o artigo funcione como um guia inicial, que ajude você a se preparar para o plantio da leguminosa.

Além do feijão, nós também já falamos sobre os fatores que afetam o desenvolvimento de outras culturas, como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.

Até a próxima!

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Rafaella Aires

Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.

1 Comentário

  • Seculo Cavole Domingos
    10/07/2023

    O meu muito obrigado, pois o artigo pode atender as necessidades primária sobre o cultivo de feijoeiro.

    Reply

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