Imagem de destaque para artigo sobre doenças da soja no Blog AgriQ. Descrição da imagem: folha de soja com pequenas manchas amareladas (Créditos: Júlio César Garcia | Shuttestock)

Soja: quais as principais doenças que afetam seu desenvolvimento?

Soja: quais as principais doenças que afetam seu desenvolvimento?

Você sabia que as doenças da soja estão entre os principais fatores que afetam a produtividade da cultura?

Geralmente causadas por fungos, bactérias, nematoides ou vírus, as doenças podem ser controladas com práticas simples de manejo.

Pensando nisso, preparamos este artigo para te ajudar a identificá-las e combatê-las na sua lavoura. Nos acompanhe!

Quais são as principais doenças da soja?

De modo geral, as principais doenças que afetam o desenvolvimento da soja são:

Confira mais sobre elas abaixo!

Ferrugem asiática

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(Créditos: Embrapa)

A ferrugem asiática é uma doença causada por fungo e pode aparecer em qualquer estágio de desenvolvimento da planta. Ela é caracterizada por minúsculos pontos mais escuros do que o tecido sadio da folha. Vale destacar que essa patologia é considerada agressiva e pode causar perdas significativas — isto é, acima de 80% da produtividade. Para o controle, deve-se aplicar fungicida preventivamente ou assim que surgirem os primeiros sintomas.

No entanto, para um correto controle da doença, o tratamento químico deve sempre ser utilizado em conjunto com outras estratégias de manejo, tais como:

  • Eliminação de plantas de soja voluntárias;
  • Ausência de cultivo de soja durante a entressafra (cumprimento do vazio sanitário);
  • Utilização de cultivares de ciclo mais precoce;
  • Monitoramento frequente da lavoura;
  • Adoção de rotações de culturas;
  • Respeito ao intervalo entre as aplicações;
  • Uso de tecnologias de aplicação eficientes.

É importante ressaltar que a infecção da ferrugem ocorre quando há disponibilidade de água livre, sendo necessário um período de molhamento mínimo de 6h.

Além disso, temperaturas entre 15 a 25 °C favorecem o desenvolvimento da doença.

Mancha Parda

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(Créditos: Embrapa)

A mancha parda geralmente ocorre em associação com a incidência do crestamento foliar de cercospora. Por isso, é considerada como parte de um complexo de doenças de final de ciclo da soja, que pode causar perdas de até 20% na produtividade da lavoura.

Os primeiros sintomas da mancha parda parecem pequenas pontuações ou manchas de contornos angulares, castanho-avermelhadas nas folhas unifolioladas, após o período de emergência da soja. Dessa maneira, há o surgimento de pontuações pardas nas folhas que evoluem e se transformam em manchas com halos amarelados e centro de coloração castanha em ambas as faces.

Em geral, sua ocorrência é mais frequente em regiões onde o verão possui temperaturas elevadas e chuvas abundantes. Assim sendo, a doença se desenvolve em temperaturas de 15 a 30 °C (com ótimo de 25 °C) e após um período de molhamento de 6 horas.

A mancha parda pode causar redução de rendimento de até 30% da lavoura. Para o controle, o recomendado é utilizar a rotação de culturas, associada à melhoria das condições físicas e químicas do solo, com foco em adubações a base de potássio. Além disso, o uso de fungicidas adequados também é benéfico.

Crestamento foliar de cercospora (Cercospora kikuchii)

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(Créditos: Syngenta)

O crestamento foliar de cercospora consegue ser responsável pela redução de até 30% da produtividade da lavoura de soja. É uma doença que pode ocorrer em todas as regiões produtoras do país, mas os ataques mais severos são observados em regiões mais quentes e chuvosas. Por isso, temperaturas entre 23 a 27 °C e alta umidade são ideais para o desenvolvimento da doença.

Em resumo, o crestamento foliar de cercospora ocorre por meio de um fungo que ataca todos os órgãos da planta de soja. Nas folhas, aparecem pontuações escuras, castanho-avermelhadas, com bordas difusas, que se aglutinam entre si e formam grandes manchas escuras.

O resultado é um severo crestamento — uma queimadura superficial — e a desfolha prematura. Ambos levam a diminuição do peso dos grãos, um dos principais componentes de rendimento da soja.

Para o manejo e controle do crestamento foliar, o ideal é utilizar sementes de soja certificadas livres do patógeno. Outras recomendações são realizar o tratamento de semente e aplicar os fungicidas adequados na parte aérea da planta.

Antracnose (Colletotrichum truncatum)

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(Créditos: Embrapa)

Comum em plantios de soja, a antracnose é considerada como um dos principais problemas em lavouras de soja presentes no cerrado. Isso acontece porque o fungo tem o seu desenvolvimento frequente em regiões de clima mais quente e úmido.

Em suma, a antracnose afeta a fase inicial de formação de vagens de soja. Assim, pode causar necrose dos pecíolos, abortamento de flores e, por fim, das vagens.

Em anos chuvosos, ainda é comum que a doença cause redução do número de vagens, o que resulta em perdas significativas na produção.

Para controlar a antracnose, é necessário investir em sementes sadias, tratamento de sementes, rotação de culturas e utilização de maior espaçamento entre linhas (50-55 cm), a fim de permitir um maior arejamento à lavoura.

No mais, o manejo adequado do solo, com enfoque em adubações potássicas, também é outra forma de controle da doença em conjunto com o uso de fungicidas adequados.

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Mancha-alvo (Corynespora cassicola)

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(Créditos: Embrapa)

A mancha-alvo são lesões que começam com o surgimento de pontuações pardas ou amareladas e evoluem para grandes manchas circulares nas folhas da soja. Podem ter até 2 mm de diâmetro e provocam desfolha na lavoura,, além da maturação precoce dos grãos.

Desse modo, a mancha-alvo pode causar perdas que giram em torno de 35% da produção de soja. Isso ocorre porque o fungo ataca as folhas, caule, vagens, sementes, hipocótilos e também as raízes (que causa a chamada Podridão Radicular de Corynespora).

No geral, a alta umidade relativa do ar é o principal fator que influencia o desenvolvimento da infecção nas folhas. Por outro lado, a infecção das raízes acontece quando o solo atinge a temperatura de 15 a 18 °C, o que gera a podridão radicular.

Entre as principais formas de controle da mancha-alvo, destaca-se a utilização do tratamento de sementes, rotação/sucessão de cultura com o milho e outras gramíneas. O uso de cultivares resistentes e o controle com fungicidas apropriados também são outras opções.

Mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum)

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(Créditos: Embrapa)

O mofo-branco consiste em um fungo capaz de infectar qualquer parte da planta de soja. O patógeno pode atacar a cultura na sua fase mais vulnerável, seja no estágio de floração até o início da formação das vagens.

A alta umidade relativa do ar e temperaturas amenas são os fatores que mais favorecem o desenvolvimento da doença. Para o controle, o ideal é a utilização de sementes e o tratamento das mesmas com fungicidas adequados.

Também é válido a prática de adubação, plantio direto, espaçamento maior entre linhas, eliminação de plantas hospedeiras e adoção da rotação de culturas com espécies como milho, sorgo, milheto, aveia branca ou trigo.

Oídio (Microsphaera diffusa)

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(Créditos: Embrapa)

Por fim, o oídio é uma das doenças mais comuns na cultura de soja. A patologia costuma ocorrer com maior frequência em regiões mais altas, onde as temperaturas são mais amenas (18 a 24 °C) e a umidade relativa do ar são mais baixas.

Causada por um fungo, a doença ataca toda a parte aérea da planta (folhas, hastes, pecíolos e vagens)). Além disso, pode provocar a seca e queda prematura das folhas, bem como o prejuízo de cerca de 40% da produção da lavoura.

A principal característica do oídio é o aparecimento de uma camada esbranquiçada que cobre toda parte aérea da folha, o que diminui  a fotossíntese da planta.

Assim, para o controle da doença, recomenda-se utilizar cultivares resistentes e aplicar os fungicidas apropriados.

Conclusão

E aí, conseguiu aprender mais sobre as doenças da soja?

Como explicamos acima, as patologias acometem a estrutura da planta como um todo. Por isso, é importante sempre realizar o monitoramento da lavoura.

Assim, você consegue evitar que a doença acometa sua lavoura ou, caso ela já tenha infectado as plantas de soja, pode tomar ações rápidas e assertivas para salvar sua cultura e evitar prejuízos na produtividade dos grãos.

Gostou do texto? Leia também nosso artigo sobre os principais fatores que afetam o desenvolvimento da soja.

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Rafaella Aires

Formada em Jornalismo, pós-graduada em Marketing e especialista em Comunicação Digital, atuo como Analista de Conteúdo no AgriQ Receituário Agronômico.

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